VIAJAR SÓ

Mais vale só que mal acompanhado, diz a cultura popular. Não somos prós em viajar sozinhos, fizemos apenas algumas viagens pequeninas. As escalas dos voos longos entre Angola e Portugal levaram-nos a Madrid e Frankfurt. Os congressos europeus de radiologia levaram a Raquel a Viena “sozinha”. Mesmo assim, a momondo perguntou a nossa opinião sobre viajar sem companhia.

Entendemos que viajar sozinho tem vantagens e desvantagens, riscos e recompensas, que são diferentes das viagens em grupo ou a dois. 

Quais são as vantagens de viajar sozinho?

  • A disponibilidade para socializar/meter conversa é maior. Quando estamos em grupo, naturalmente ficamos na nossa, no nosso grupo, às vezes nem reparamos bem nas pessoas que nos rodeiam;
  • A probabilidade de alguém vos conhecer no destino é reduzida, portanto, se são pessoas tímidas, aproveitem para arriscar e perder essa timidez. Sugestão: experimentem aquela dança que sempre tiverem curiosidade de aprender mas embaraço de mostrar;
  • Não estão presos à vontade de outras pessoas, não precisam de ceder na altura de planear a próxima atividade ou destino;
  • Vão ser especialistas em pedir às pessoas para vos tirar uma fotografia, o que também dá um belo quebra-gelo;
  • Vão ser obrigados a aprender línguas novas, ou a desenferrujarem as que já conhecem mas que abandonaram no secundário; 
  • Vão encontrar alojamentos mais baratos em quartos partilhados;

E as desvantagens?

  • À partida, não têm com quem dividir as despesas (procurem);
  • Nos dias maus, ou metem conversa com alguém, ou vão deprimir para o vosso beliche;
  • Todas as decisões são vossas (mais cansativo e não podem chutar as culpas para canto);
  • A vossa segurança depende unicamente das vossas escolhas e decisões, não têm uma pessoa de confiança para vos apoiar numa situação de aperto.

Alguém que opta por ser um solo traveler não é louco, já falámos sobre isso aqui, muitas vezes não é uma opção, apenas consequência das circunstâncias. A outra pessoa diz que já não vai e o viajante diz que não vai perder o que já investiu, inclusive o que já sonhou ao planear a viagem. E devemos dizer que a maioria das pessoas que fica hospedado em hostels é um viajante “solitário”, tanto homens como mulheres, e desfrutam tanto como quem viaja em grupo.

Como começar: 

  • Quem não quer arriscar tudo logo numa primeira vez pode começar por escolher uma cidade onde tenha alguém, seja um amigo, um primo, um conhecido de amigo, etc., e aproveitar os momentos em que estará sozinho para conhecer por conta própria;
  • Escolher um destino onde saibam que não se vão sentir desconfortáveis, com uma cultura próxima da sua;
  • Escolher ficar alojado em hostel, pois podem são um ótimo ponto de partida para conhecer pessoas novas;
  • Procurar atividades no destino que permitam conviver com locais e conhecer mais, como free walking tours, aulas da língua local ou de culinária, participação em acções de voluntariado (limpeza de praias, etc);
  • Procurar páginas locais onde possam conhecer alguém que domina a cidade e que se oferece gratuitamente para vos apresentar o top local;
  • Dividir uma viagem mais longa em dias a solo e outros em que se vão encontrar com amigos;
  • Fazer couchsurfing ou work exchange, no primeiro alguém vos oferece o sofá, no segundo vocês trocam estadia por trabalho;

No fim:

  • Vão descobrir que são mais resistentes do que pensam;
  • Vão conhecer pessoas fantásticas;
  • Vão arriscar dar confiança a pessoas que noutras circunstâncias nunca se teriam cruzado na vossa vida;
  • Vão perceber que a humanidade é melhor do que as redes sociais fazem parecer;
  • Vão trazer histórias fantásticas para partilhar com os vossos amigos;
  • Vão perceber que o instinto é a vossa arma de defesa mais poderosa;
  • Vão reparar em coisas que de outra forma vos passariam ao lado.

 

Post escrito ao abrigo do programa Open World Travelers da momondo.

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