GALERIAS ROMANAS – AS CATACUMBAS DE LISBOA (PORTUGAL)

Há poucas atividades em Lisboa que esgotem tão rápido quanto as Galerias Romanas da freguesia de Santa Maria Maior. Abrem duas vezes por ano, em abril (às vezes março) e em setembro. E nós conhecemos poucas pessoas que tenham conseguido bilhetes.

O criptopórtico da Rua da Prata foi descoberto após o terramoto de 1755, em 1770, na construção da baixa pombalina. A estrutura fica na antiga Rua Bela da Rainha (agora Rua da Prata) e na Rua da Conceição, em plena baixa da cidade. A câmara pretende que o acesso deixe de ser feito pela Rua da Conceição, que atualmente obriga a fechar o trânsito, e passe a fazer-se por um edifício de sua propriedade, na Rua de São Julião 86-106 e Rua da Prata 45-51, com o apoio de um pequeno centro interpretativo, de acesso pelas galeria das nascentes. O plano é abrir durante 2020-21 e incluir o espaço no projeto Lisboa Romana. Este projeto vai mapear os vestígios arqueológicos da área metropolitana, com acesso à localização a partir de uma aplicação móvel. Neste momento Lisboa tem o Teatro Romano, o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, a loja de vinhos Casa Napoleão (o que resta de uma fábrica de conservas do século V), vestígios do Campo das Cebolas, a Sé e um dos últimos sítios arqueológicos da época romana, o Hotel Eurostars Museum.

As ruínas:

Pensa-se que as galerias ortogonais (do século I) seriam uma plataforma de suporte aos terrenos para ajudar a reduzir o declive ou dar estabilidade ao solo.  Por cima eram construídos os edifícios, mas atualmente as investigações também apontam para a existência de umas termas portuárias. As galerias existentes são apenas uma pequena amostra do que existiu, ou talvez ainda exista. São corredores abobadados, paralelos, com arcos, e 2 a 3 metros de altura, a uma profundidade de 6 metros do atual solo. Alguns arcos são baixos, e as galerias estão quase todo o ano inundadas, sendo dragadas para as visitas. Já mais recentemente, no século XVIII, foram usadas pela população como cisternas de água.

Em 1770, quando Manuel Ribeiro construía o seu prédio (57-63 da Rua da Prata), descobriu o criptopórtico e uma lápide, que acabou por colocar no edifício onde hoje está o Museu Arqueológico. A lápide dizia “consagrada a Esculápio. Os Augustais Marco Afrânio Euporião e Lucio Fábio Dafno ofereceram este monumento em dádiva ao Município.”

Galerias romanas

A reserva dos bilhetes:

A forma mais fácil de não perder a próxima abertura é seguir a página de Facebook da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e estar atento aos dias em que estarão disponíveis.  A reserva é feita pelo site da CML criado para o efeito. O site é intuitivo e permite selecionar o dia e as horas disponíveis (das 10:00 às 19:00h). Cada visitante só pode comprar até 4 bilhetes. Adultos pagam 2€ e crianças até aos 12 anos não pagam. Depois de reservados, os bilhetes têm de ser pagos em 3 dias, podendo ser feito nos seguintes locais:

– Teatro Romano (Rua de São Mamede, 3A)

– Santo António (Largo de Santo António da Sé, 22)

– Palácio Pimenta (Campo Grande, 245)

A visita:

Há mais de 100 anos só jornalistas e investigadores é que podiam visitar as ruínas. Desde os anos 80 que estão abertas a visitantes.

Deve-se chegar 15 minutos antes, sendo o ponto de encontro na esquina das Ruas da Conceição e dos Correeiros. Apesar de se fechar o trânsito da Rua da Conceição, os elétrico 28 continuam a circular, o que pode atrasar o horário de entrada para a visita. Entramos por um alçapão para umas escadas, é preciso descer com cuidado. Não é uma atividade indicada para quem tem mobilidade reduzida, mas é adequada a crianças.

Galerias romanas

É importante também relembrar que as galerias costumam estar inundadas e faz sentido entrar com botas impermeáveis. A guia desce convosco e dá algumas explicações sobre a descoberta das galerias romanas, a sua importância, a razão de ser uma experiência tão exclusiva e sobre o futuro do espaço. Fala na lápide dedicada ao deus greco-romano da medicina, o que faz indagar sobre a presença de um templo ao deus Esculápio.

Galerias romanas

Vale a pena:

Vale a pena ir uma vez na vida, conhecer o espaço, mas acaba por ser um espaço muito simples e pequeno, que fica algo sobre-lotado. A visita é curta, simples e eficaz.

365 dias no mundo estiveram nas Galerias Romanas da Rua da Prata a 30 de março de 2019

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Raquel

Gosto de viajar depressa ou devagar. Gosto de conhecer pessoas, de ouvir as suas histórias, de experimentar as comidas dos países que visito. Falo pelos cotovelos e tenho uma lista de sítios a conhecer que todos os anos duplica de tamanho. Não gosto de desporto, mas de vez em quando perco a cabeça e experimento algum novo.

2 thoughts on “GALERIAS ROMANAS – AS CATACUMBAS DE LISBOA (PORTUGAL)

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