A PEDRA INGLESA NO SUL DE ESPANHA (GIBRALTAR)

Cada vez mais se fala do Brexit e do problema que poderá ser a fronteira entre as Irlandas. Páginas de viajantes enchem-se de comentários em que se pergunta se terão que levar já o passaporte na próxima viagem a Londres, mas pouca gente fala de Gibraltar.

Gibraltar é um rochedo na Península Ibérica (no sul de Espanha) que é de soberania britânica, apesar da vontade de Espanha em o deter, tal como Ceuta, em que Marrocos e Espanha discutem quem deveria ficar com o território. Gibraltar é dos britânicos desde 1713 e fica no estreito com o mesmo nome que divide o Oceano Atlântico do Mar Mediterrâneo.

Faz fronteira terrestre com a Andaluzia, e foi a partir da nossa viagem a Sevilha, Ronda e Ardales que decidimos ir até ao Reino Unido no mesmo dia. Há que ter a noção que apesar de ser um território britânico é impossível não se deixar influenciar pela cultura latina dos espanhóis, o que cria uma identidade muito própria em Gibraltar.

Como chegar:

Carro

Seguindo as placas é só preciso estar atento para entrar na fronteira pela fila certa, no nosso caso nada a declarar. Apesar de existirem alguns carros, a passagem é rápida. Os CC (portugueses), ou outros bilhetes de identidade europeus, têm de ser mostrados e chegamos a Gibraltar. Atravessamos a pista do aeroporto, que pode estar fechada quando há circulação de aeronaves.

Avião

A primeira coisa que vêem ao passar a fronteira é a pista de aterragem. Os voos de Londres são relativamente baratos (100€).

O que visitar:

Gibraltar Nature Reserve Upper Rock: foi a única atividade que fizemos. Foi o único sítio onde nos permitiram estacionar de graça (o militar à entrada foi impecável e deixou-nos estacionar junto à guarita) e preferimos utilizar o pouco tempo para as trilhas no topo do rochedo.

O parque tem 4 caminhos marcados:

  • Nature Lover (verde): 3200m, fácil.
  • History Buff (vermelho): 4300m, médio.
  • Monkey Trail (lilás): 2900m, médio.
  • Thrill Seeker (azul): 3900m, difícil.

Não é muito difícil de seguir os diversos caminhos, estão marcados no chão os símbolos de cada rota, mas o calor não ajuda. Há macacos por todo o lado (únicos na Europa) e são gulosos, roubam gelados sem desistir, mas geralmente não se metem convosco.

As zonas que vale a pena ver são:

  • Caverna de São Miguel: durante a 2ª Guerra Mundial foi um hospital, hoje é um auditório. Por 25£ podem visitar a Caverna durante 3h com um guia creditado. Acessível pelas rotas vermelha e lilás.
  • Bateria de O’Hara: provavelmente uma das melhores vistas do parque. Fica a 421m acima do nível do mar. É possível visitar a grande peça de artilharia. Acessível pela rotas azul e vermelha.
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  • Bateria Spur: foi disparado pela última vez nos anos 70. Hoje em dia encontra-se em Inglaterra no Museu de Duxford (foi mudado em 1981). O espaço onde ficava a bateria está lá e é visitável, mas ficava noutra rota e nós não fomos, por falta de tempo
  • Skywalk: um terraço em vidro  com 360º de vista panorâmica sobre 2 continentes e 3 países. Acessível pelas rotas azul e lilás. Tinha parte do espaço fechado e os vidros que fazem de piso estavam rachados. Vale a pena ir até aqui. 
  • Muralha Carlos V: é mais fácil descer desde Skywalk até à Guarida dos Macacos. É preciso ter cuidado, os macacos podem morder, mas geralmente não se metem connosco. Acessível pelas rotas azul e lilás. 
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  • Ponte Windsor: a nova ponte suspensa em Royal Anglian Way (Caminho Real Inglês) tem 71 metros de comprimento. Acessível pelas rotas lilás e vermelha.
  • Castelo dos Mouros: é de 1160 e foi destruído quando Espanha reconquistou o território. A Torre de Menagem é de 1333, quando os árabes reconquistaram Gibraltar a Espanha. Acessível pelas rotas verde e vermelha.
  • Exposição da cidade sob o cerco: É possível ver na exposição como viveram os soldados durante o cerco. Acessível pelas rotas verde e vermelha.
  • Túneis de Grande Cerco: um impressionante sistema de defesa construído pelos britânicos durante o cerco de 1779-83. Acessível pelas rotas verde e vermelha.
  • Túneis da Segunda Guerra Mundial: foi criado um sistema de defesa através de túneis para evitar um ataque a Gibraltar durante a Segunda Guerra Mundial. Acessível pelas rotas verde e vermelha. Os túneis da Segunda Guerra Mundial custam 8£ extra.
  • Teleférico: podem subir o rochedo de teleférico por 16£. A base fica ao lado dos Jardins Alameda. Acessível pela rota lilás. podem comprar os bilhetes aqui.

Preço: Os preços variam consoante as atrações e os percursos.

5£, preço básico, 13£ com atrações como Caverna de São Miguel, Guarida dos Macacos, Túneis de Grande Cerco, Castelo dos Mouros, Exposição da Cidade em Cerco, Centro de Património Militar, Bateria de O’Hara e Arma de 100 Ton.

Escadaria do Mediterrâneo: a escadaria é íngreme e mais difícil no calor. Leva-nos da Bateria O’Hara até à porta dos Judeus. Percurso azul.

Caverna de Gorham:  complexo sistema de cavernas reconhecido como património da humanidade pela Unesco. Pode-se descer pela escadaria do Mediterrâneo ou passear de barco. O museu de Gibraltar organiza visitas guiadas, mas com poucas inscrições. É preciso reservar com antecedência por e-mail (neanderthals@gibmuseum.gi).

Casemates Square: Praça principal onde se faziam as execuções públicas. Ficam aqui os quartéis britânicos.

Museu de Gibraltar (Gibraltar National Museum): O museu expõe uma coleção de artefatos originais, gravuras e fotografias antigas de Gibraltar. A história militar e a história natural do Rochedo também estão representadas. Na parte inferior do edifício está um dos Banhos Árabes melhor preservados da Europa. Custa 5£.

Catedral de Santa Maria (Cathedral of St Mary the Crowned): Aqui ficava a mesquita principal. A catedral foi destruída pelos bombardeamentos do Grande Cerco do século XVIII.

Muralhas: percebendo que foi um território disputado por diversos países e culturas, árabes, Espanha, Reino Unido e vendo a sua importância no estreito com o mesmo nome é fácil de perceber que a defesa militar era essencial no local.

Catedral da Sagrada Trindade (Cathedral of the Holy Trinity): Apesar de ter influência árabe o edifício é de 1825.

Grande Sinagoga e Sinagoga Flamenga (Great Synagogue and Flemish Synagogue): A Sinagoga em Engineer Lane, é uma das mais antigas da península, construída em 1724. A Sinagoga Flamenga, situada em Line Wall Road, organiza visitas guiadas.

Memorial de Guerra Americano (American War Memorial): durante a Primeira Guerra Mundial britânicos e americanos formaram uma aliança. Em 1932 construiu-se um arco para comemorar a aliança.

Canhão 100 Ton: O Victorian Supergun tem um gémeo em Malta. É um dos mais pesados do mundo. Marcou uma posição na defesa do mediterrâneo pelos britânicos.

Farol (Trinity House Lighthouse): único farol que é administrado pela Trinity House fora do Reino Unido. É de 1841.

Chatham Counterguard: O Orange Bastion surgiu para substituir um espanhol. Mudou de nome como homenagem a um governador do território britânico. Apesar de continuar a ter importância histórica passou a ser um ponto de interesse de final de dia com restaurantes, bares e música.

Keightley Way Tunel: é um tunel dos anos 60 criado com duas faixas e passeios pedestres, mas agora só tem um sentido. Estava fechado na nossa visita.

É um destino de praia, e podem fazer passeios de barco para ver golfinhos.

Os macacos são uma grande atração e símbolo da região. Não vos chateiam se vocês não os chatearem, excepto se… tiverem fome e vocês tiverem comida.

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Onde comer:

Nós comemos do lado espanhol para evitar cobranças com taxas de câmbio, mas restaurantes não faltam.

Podem ver uma lista do site de turismo aqui.

Onde dormir:

Os preços rondam os 100€/ noite, havendo bastante oferta de luxo acima desse preço.

Como evitar taxas de câmbio: 

Estamos a falar do Reino Unido e de libras. Nós usamos o Revolut sempre que saímos de Portugal. Se não conhecem este cartão podem fazer um através do nosso link aqui.

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Como circular:

Indo de carro como nós, não é difícil circular. É preciso ter cuidado ao estacionar, os lugares estão marcados como para residentes ou públicos.

Atenção à condução. Apesar de estarmos num território britânico conduz-se “normalmente” à direita.

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365 dias no mundo estiveram em Gibraltar a 23 de junho de 2019

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Raquel

Gosto de viajar depressa ou devagar. Gosto de conhecer pessoas, de ouvir as suas histórias, de experimentar as comidas dos países que visito. Falo pelos cotovelos e tenho uma lista de sítios a conhecer que todos os anos duplica de tamanho. Não gosto de desporto, mas de vez em quando perco a cabeça e experimento algum novo.

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