VISTA ALEGRE, HOTEL + MUSEU (ÍLHAVO)

Chegámos a Ílhavo pela manhã, ainda cansados da viagem de véspera da Islândia para Lisboa, mas o congresso da Raquel começava cedo. Esta edição do congresso nacional de radiologia realizou-se em Ílhavo, num hotel que já nos tinha despertado curiosidade, mas, por termos estadia caseira em Aveiro, ainda não tínhamos experimentado.

O Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel faz parte de um projecto da Visabeira para recuperação do complexo fabril da Vista Alegre, em parceria com a Câmara Municipal de Ílhavo. Reabilitou-se o antigo palácio, tendo este sido integrado no novo edifício do Montebelo Hotel, aumentou-se e remodelou-se o Museu da Vista Alegre, modernizou-se a fábrica, requalificou-se a creche, reabilitou-se o teatro e restaurou-se a capela seiscentista da nossa Senhora de Penha de França e a Fonte do Carrapichel de 1693. Ficou apenas por recuperar, mas já com plano traçado, o bairro operário.

Em 2018, este trabalho foi reconhecido com o prémio “escolha do público” do programa RegioStars da Comissão Europeia, que homenageia os melhores projetos regionais da União Europeia pela inovação e boas práticas. O museu é dos museus municipais mais visitados de Portugal.

DSC_4460

História da Vista Alegre

José Ferreira Pinto Basto (busto infra) foi o fundador da primeira fábrica de porcelana portuguesa, a Vista Alegre, em 1824. A história remonta a 1812, quando comprou a Quinta da Ermida, alargada em 1816 com a compra da Capela da Vista Alegre e restantes terrenos à volta. Pinto Basto pediu ao Rei D. João VI para instalar uma fábrica de loiça na Quinta Vista-Alegre da Ermida. O Rei autorizou e, cinco anos depois, José Pinto Basto era dono de uma Real Fábrica.

A fábrica produzia peças em vidro e cerâmica “pó de pedra”, mas, em 1880, deixou o vidro. Só mais tarde começou a trabalhar as porcelanas. Ganhou prémios, tornou-se uma marca reconhecida nacional e internacionalmente, produzindo baixelas para a casa real e famílias abastadas.

O museu foi criado em 1964 e, em 1985, foi criado o Clube de Coleccionadores e inaugurado o Centro de Arte e Desenvolvimento da Empresa. Em 2001, a empresa fundiu-se com a Atlantis, marca reconhecida na área dos cristais, tornando-se assim o maior grupo nacional e o sexto maior do mundo em tableware. Em 2009 entrou para o portefólio do Grupo Visabeira.

DSC_9037
DSC_9054

O “bairro” Vista Alegre

A Vista Alegre não instalou apenas uma fábrica em Ílhavo, criou uma mini-cidade, a exemplo de outras empresas europeias, como a New Lanark (Escócia), Bois-du-Lac (Bélgica), Guise e Sévres (França). Apesar de hoje estar muito próxima de Ílhavo, na altura os meios de transporte eram limitados, e as zonas residenciais estavam demasiado afastadas. Para garantir o conforto dos funcionários, o complexo fabril tinha o palácio, a capela e o bairro operário, com creche, colégio interno, clube de futebol, refeitório, barbearia, messe e um teatro, criando um espírito familiar e uma passagem de testemunho de geração em geração, com os filhos dos funcionários a crescerem no ambiente da fábrica. Tinha até o seu próprio corpo de bombeiros e banda. Davam-se também aulas gratuitas de pintura e desenho, o que permitia conhecer e formar novos artistas para trabalharem na fábrica. Atualmente, funciona ainda a fábrica, o hotel, museu e as lojas. O complexo distingue-se da região adjacente pelos seus muros e paredes brancas com a moldura amarela, que contrastam com as fachadas de azulejo.

DSC_9056

A visita

Quando recebemos amigos e familiares em Aveiro, fazemos questão de os levar ao museu. A proximidade às praias, a Aveiro, a sua peculiaridade, e a fama da marca Vista Alegre, fazem com que seja sempre um roteiro de sucesso. Não há quem resista à loja e à cafetaria “de fino serviço”, tendo também uma loja outlet para os mais poupados.

Já o hotel, podemos dizer que as 5 estrelas são merecidas. A sua decoração e arquitetura são simples, de linhas direitas e discretas, mas de elevado pormenor, classe e bom gosto.

O museu e as lojas abrem todos os dias, já a capela da Nossa Senhora da Penha de França tem um horário muito restrito.

DSC_9067
DSC_4426
DSC_9083

O Hotel

Logo à entrada, à direita, impressiona pelas paredes originais da fonte, junto à escadaria de acesso ao piso 1, onde ficam o SPA, quartos, salas de reuniões, ginásio e bar. A escadaria em caracol que nos leva do 1° ao 2º piso também é uma peça que vale a pena visitar, dando acesso à cafetaria, loja e outras salas do antigo palácio.

DSC_4451
DSC_4456

Os quartos são espaçosos, com uma verdadeira casa de banho que oferece chuveiro e banheira. Existe uma grande parede de armários onde se encontra um cofre e um serviço de chá Vista Alegre para duas pessoas, com chaleira elétrica. Tem também uma secretária que permite que o hotel seja usado em estadias de trabalho. A cama é king-size e tem em frente uma “parede” em espelho onde está “escondida” a TV.

DSC_8980
DSC_9007

A piscina exterior fica na margem do rio Boco. O SPA, acessível aos hóspedes do hotel, oferece duas piscinas interiores, jacuzzi, banho turco, ginásio e salas de massagens/tratamentos. O ginásio é simples, mas cumpre o obetivo.

O pequeno almoço é rico e variado, servido no restaurante. Não faltam crepes, panquecas, croissants e pão. Os típicos ovos moles também marcam presença, além das compotas e doces. O café é nacional, da Delta.

DSC_8996
DSC_4459

A fonte do Carrapichel

Pelas mãos do mesmo bispo que nos trouxe a Capela da Nossa Senhora da Penha de França, surgiu também a fonte seiscentista (1696). Foi reconstruída em 1920 e, em 2015, passou a fazer parte do hotel, tendo paredes partilhadas. Tem 84 versos esculpidos, sendo os últimos quatro famosos.

Bebe pois, bebe à vontade.

Acharás que é (muitas vezes)

Tão útil para a saúde

Quão para a Vista Alegre

DSC_4452

O Museu

O museu abriu ao público em 1964 e conta a história dos 200 anos da marca. Sempre existiu a tradição de preservar a memória do que a marca já tinha feito, guardando-se os melhores exemplares num museu junto à capela. Este foi recentemente renovado e ampliado, incluindo agora dois fornos instalados na receção. Tem diversas salas e conta a história do seu fundador e da fábrica. É possível ver a evolução da marca Vista Alegre, desde o vidro e “pó de pedra”, até à porcelana. Relembrar o período Art Deco e Art Nouveau, as peças brasonadas e personalizadas, e espreitar as reservas do museu, onde estão as peças que não estão em exposição.

Atualmente, inclui as oficinas de pintura, onde é possível ver a delicadeza e perícia do trabalho dos pintores da Vista Alegre. Nos dias úteis, entre as 10:15h e as 18:45h, é possível visitar a oficina de pintura.

Preço: 6€ (inclui entrada na capela)

Horário: 10h às 19h (de maio a setembro fecha meia hora mais tarde)

Existe audioguia por 2€/pessoa (português, inglês, francês, espanhol ou alemão)

O museu inclui algumas oficinas, como pintura, olaria e feito por si. Carecem de inscrição.

DSC_9030
DSC_9032
DSC_9069

A Capela

A capela existe desde o século XVII, por ordem do Bispo de Miranda (D. Manuel de Moura Manuel). Destacam-se os azulejos seiscentistas de Gabriel del Barco, retábulo em mármore e talha dourada e os frescos das abóbadas. Na fachada tem uma imagem de pedra de nossa senhora da Penha de França, a padroeira da Vista Alegre.

Pinto Basto adquiriu a capela em hasta pública a 26 de outubro de 1816 e é monumento nacional desde 1910. Foi renovada em 2015 com apoio da DGPC.

Abre nos seguintes horários: 10:45, 11:45, 14:00, 15:00, 16:00 17:00 e 18:00 no inverno (verão também às 18:30)

Preço: 1,50€ (bilhete exclusivamente para a capela)

DSC_4417

O Teatro

Gerido agora pela autarquia de Ílhavo, responsável pela sua requalificação, tem um edifício construído originalmente em 1826, reconstruído em 1851. Aqui fizeram-se representações teatrais, sessões de cinema, bailes e atuações da Banda da Vista Alegre e do Órfeão. A câmara pretende promover o espaço através do Centro Cultural de Ílhavo.

As lojas

Há três lojas: a Vista Alegre, a Outlet e a Bordalo Pinheiro. Não há melhores espaços do que estes para explorar o trabalho da marca, encontrando-se expostas muitas peças. Se procuram coleções novas, deverão centrar-se na loja Vista Alegre que fica ao lado da cafetaria, junto ao hotel.

Horário: das 10:00 às 19:30

DSC_4443
DSC_4439
DSC_4438

A nossa experiência:

Ficámos num quarto standard com vista para a piscina exterior. Vemos no site que os quartos do palácio são extremamente bonitos, com vários pormenores habituais num palacete. O espaço disponível no quarto, a organização e os pormenores de decoração, foram os aspetos que mais nos surpreenderam. A cama era grande, a varanda também, e até a casa de banho era mais espaçosa do que o habitual.

O serviço de chá Vista Alegre, a garrafa de água e os biscoitos de cortesia são miminhos importantes num hotel deste nível. No armário estavam dois robes e dois pares de chinelos que usámos para ir para a piscina.

DSC_8992
DSC_8986
DSC_8972
DSC_9011

Notas negativas: sabemos que estamos em época baixa, mas fez-nos confusão não termos sido informados que as toalhas da piscina interior deveriam ser levantadas na recepção principal e não na receção do SPA como seria mais intituitivo, mas que se encontrava fechada. Também não nos pareceu que fizesse muito sentido a área de circulação dos hóspedes ser tão próxima da área de circulação de eventos, o que faz com que nos cruzemos nos elevadores, de robe, com quem está no hotel para congressos ou refeições.

O pequeno-almoço é espetacular, muito completo, bem servido. As loiças Vista Alegre espalhadas por todos os espaços são uma forma engenhosa de promover a marca no hotel e fomentar a visita à loja. Há, inclusivamente, peças expostas nas paredes, o que traz alguma piada aos espaços.

Já conhecíamos a parte gratuita do museu e ficámos maravilhados com as áreas pagas, recomendando a visita completa. Os fornos, as peças, a história da fábrica contada em ligação com a história do país, as fotos dos funcionários e dos fundadores, todo o conjunto dá uma cara à marca, torna-a quase familiar.

Por estarmos inscritos num evento pagámos 93€, habitualmente custa bastante mais.

Podem reservar no booking, usando o nosso link.

DSC_4445
DSC_9033

365 dias no mundo estiveram na Vista Alegre de 8 a 9 de novembro de 2019

Este artigo pode conter links afiliados

Spread the love

Raquel

Gosto de viajar depressa ou devagar. Gosto de conhecer pessoas, de ouvir as suas histórias, de experimentar as comidas dos países que visito. Falo pelos cotovelos e tenho uma lista de sítios a conhecer que todos os anos duplica de tamanho. Não gosto de desporto, mas de vez em quando perco a cabeça e experimento algum novo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

%d bloggers like this: