ESTE DA ISLÂNDIA

Chegámos a Austfirðir, a região este da Islândia, no dia 30 de outubro, com o dia já a escurecer, apesar de cedo. A partir daqui a paisagem muda completamente, deixamos o cenário de Guerra dos Tronos e começamos a vislumbrar um pouco além da neve.

À chegada a Egilsstadir, tínhamos pensado ir a banhos a VOK. O preço parecia aceitável, mas a Raquel enganou-se a pesquisar, o desconto de 25% era noutras piscinas. Esta zona tem uma forte influência europeia, havendo cidades com raízes francesas e norueguesas. É também uma região menos conhecida dos turistas, apenas recentemente começaram a chegar em maior número, com a saturação das zonas mais turísticas.

O que fazer:

Canhão Stuðlagil: as colunas de basalto são famosas na Islândia e não faltam fotografias criativas pela internet. Na altura em que fomos é algo desapontante, tal como já tinha sido em Gerduberg. Não que não seja interessante na mesma, porque é, mas a expetativa era algo diferente, sem neve e gelo. Há outras zonas de colunas de basalto no país:

  • Penhasco Gerduberg;
  • Baía Kalfshamarsvik;
  • Praia Reynisfjara;
  • Cascata Svartifoss.

Estas são consideradas as mais bonitas, mas também uma descoberta recente. Só apareceram quando o rio foi desviado para criar uma estação hidroelétrica. As colunas de basalto fazem parte da cultura islandesa. Puseram uma no tecto do Teatro Nacional e a Igreja Hallgrímskirkja é inspirada nelas. Vimos gente a arriscar descer pela neve e gelo, bem… Achamos uma atitude irresponsável.

Cascata Hengifoss: a última parte do percurso, uns 500m, estava fechada devido ao gelo, neve e lama. Até aqui chegar é necessário percorrer uma caminhada de mais de 2km a subir, mas fácil, com paragens pelo meio em miradouros. Vantagem invernil: éramos apenas quatro pessoas a usufruir do local. O acesso é gratuito.

Não fomos à cascata mas enviámos o drone

Centro de Visitantes Snæfellsstofa: gostamos de arquitectura, habituámos-nos a ir à procura de edifícios singulares, mas a este não chegámos. Abre de maio a setembro e, como sabem, fomos em outubro. É um edifício certificado e fica dentro do Vatnajökull National Park.

Borgarfjörður Eystri

É perto desta cidade que fica Álfaborg, a cidade dos elfos, onde reside a rainha. Já falámos sobre as lendas e crenças dos islandeses, para eles é um assunto sério. Aqui fica também o vale Kækjudalur, onde se diz que é possível ver os elfos a cavalo. Apesar de ser uma cidade pequena, com pouco mais de 100 habitantes, tem um festival famoso, o Bræðslan Music Festival. Também é conhecida pelas suas trilhas Víknaslóðir e pelos fiordes Víkur e Loðmundarfjörður.

Egilsstadir

Esta simpática cidade, com apenas 70 anos, fica nas margens do rio Lagarfljót.

Vök Baths: um espaço fabuloso, com o edifício muito bem integrado na paisagem. A decoração da cafeteria é também de extremo bom gosto. Tem um tea bar orgânico junto à entrada, fica junto ao lago e as piscinas flutuam nele, com os acessos entre as piscinas em madeira. Custa 5.000 ISK (37€) e achamos que vale o preço. Abre das 11h às 23h no verão e das 12h às 22h a partir de outubro. É possível reservar os bilhetes por hora no site. Aconselhamos a reservar para mais cedo, porque se quiserem podem ficar mais tempo, saem quando estiverem cansados.

Piscinas municipais: são umas piscinas normais aquecidas, interior e exterior. O espaço é concorrido porque tem ginásio e poli desportivo. Custa 1.000 ISK (7€). Nós viemos a estas, claro. Apesar de existirem piscinas geotermais muito bonitas por todo o país, não vemos necessidade de pagar constantemente 30€ a 50€, quando podemos pagar apenas 7€. Em alguns locais optámos por apenas fotografar as bonitas, e deixarmos-nos relaxar nas baratas (de olhos fechados a imaginação não tem limites). Aqui já começou a ter alguma graça a abordagem dos funcionários. Fomos pagar as entradas e o rececionista parecia algo incomodado, sem saber como nos dizer que tínhamos de seguir as regras nacionais (leiam aqui).

Museu Cultural do Este Islandês: fica no centro da cidade e inclui artefactos que representem a vida, cultura e história da região. Chamou-nos a atenção por ter uma exposição dedicada às renas, endémicas da região. Acabámos por vê-las no percurso. O site só tem uma página em inglês, mas conseguem ver o horário. Está aberto todo o ano e custa 1.200 ISK.

Quinta Sænautasel: uma quinta típica que foi abandonada durante a erupção de 1875. Hoje está remodelada e abre no verão para servir panquecas. Dizem que foi a quinta que serviu de inspiração para o romance de Halldór Kiljan, Independent People.

Sabem o que devem fazer se ficarem perdidos numa floresta islandesa?

Levantem-se!

Isto é uma piada típica islandesa que goza com as suas árvores baixinhas e magrinhas. Mas, se isto era verdade no Oeste, aqui no Este as árvores começam a ser mais consistentes e encorpadas.

Hallormsstaðarskógur: é uma floresta protegida. Lê-se em vários locais que o país tinha há mil anos florestas densas, mas a colonização e a procura de combustível e material para fazer barcos levaram a uma vergonhosa desflorestação, nunca ultrapassada.

Seyðisfjörður

Aqui chegam os ferries da Europa.

Regnboga Vedur (rua arco-íris): é uma rua em que as pedras foram pintadas às listas com as cores do arco íris. No inverno são algo displicentes com a limpeza da neve, mas é mais uma cidade a cativar pelas suas cores, como Águeda (Portugal), Valparaíso (Chile), o bairro Caminito (Argentina), Guatapé (Colombia). A rua estava super escorregadia e só se via um bocadinho do arco-íris, apesar de estar toda a rua pintada. Tem vários hotéis com pinta e uma loja giríssima, a Gullabuid.

Igreja azul (Bláa Kirkjan): é uma igreja azul clara, que tem a atração de poder ser fotografada pela rua arco-íris. No verão tem concertos à quarta-feira.

Centro Cultural Skaftfell: aqui encontram exposições de arte contemporânea.

Cascatas Gufufoss e Fardagafoss: Ficam no percurso entre as duas cidades. Não são das mais impressionantes, mas são sempre agradáveis de ver.

Fiordes do Este

Os fiordes do este são 120km de costa desde Borgarfjörður Eystri até Berufjörður. Vale a pena apreciar a linha da costa à medida que avançam na estrada.

Numa zona costeira, enquanto percorríamos os fiordes, encostámos para procurar no mapa uma atração, mas tivemos a “sorte” de conseguir ver uma raposa do ártico. Infelizmente, esta parecia ter sido caçada.

Farol Djupivogur: é um farol pequeno, cor de laranja, que fica numa zona de produção ou embalamento de sal. Não é acessível por estrada, mas filmámos com o drone e ficámos maravilhados com a transparência da água, pena ser tão gelada.

Onde dormir:

Lyngás Guesthouse (Egilsstadir): aqui aconteceu-nos uma coisa caricata no check out. Sem conseguir explicar como, trouxemos a chave no bolso connosco. Tivemos de percorrer uns bons quilómetros para trás para devolver as chaves. Os quartos são confortáveis, mas as casas de banho são partilhadas. A cozinha é equipada, talvez pequena se o alojamento estiver cheio. Na primeira vez que tentámos lá chegar enganámo-nos e fomos parar uma casa particular vizinha, algo habitual segundo a dona da casa, que não ficou muito incomodada.

Onde comer:

Aqui não comemos fora uma única vez. Cozinhámos à base das massas recheadas com salmão fumado.

Encontrámos o Skálínn Diner. Faz mesmo lembrar um diner americano. Não entrámos, mas pareceu ser um sítio com pinta.

365 dias no mundo estiveram na Islândia de 23 de outubro a 7 de novembro de 2019

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Raquel

Gosto de viajar depressa ou devagar. Gosto de conhecer pessoas, de ouvir as suas histórias, de experimentar as comidas dos países que visito. Falo pelos cotovelos e tenho uma lista de sítios a conhecer que todos os anos duplica de tamanho. Não gosto de desporto, mas de vez em quando perco a cabeça e experimento algum novo.

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