O MUSEU GUGGENHEIM E O EFEITO BILBAU (ESPANHA)

Os museus são, a maioria das vezes, edifícios grandes, vistosos e caros, o que gera grandes vozes de oposição, com o argumento de que são algo que não traz retorno. Em Lisboa temos os casos recentes do MAAT e do Museu dos Coches. Aconteceu o mesmo com o Museu Guggenheim Bilbau. Foi uma decisão pouco consensual e, na semana de inauguração, a ETA lançou um ataque terrorista na zona. Porquê gastar tanto dinheiro num museu? Porquê um Guggenheim, da fundação americana Solomon R. Guggenheim? Tudo isto levantava um burburinho pelas ruas da cidade, mas a ETA foi mais longe e o seu ataque, a 13/10/1997, matou Txema Agirre, um polícia. Agora, a praça junto à entrada principal do museu tem o seu nome, identificada por uma placa que passa despercebida.

Contextualizando a cidade à época do projeto, falamos de uma cidade portuária, escura, que recebia poucos visitantes, porque não havia razão para tal. O local onde foi proposto o museu também não era apetecível, numa zona industrial de armazenagem de contentores. Nessa altura, o Governo do País Basco acreditou que seria possível mudar a cidade, modernizando-a e abrindo-a ao mundo, criando uma Bilbau depois da obra do Arquiteto Frank O. Gehry. As consequências foram tão massivas que os especialistas inventaram a designação Efeito Bilbau. O efeito Bilbau é a transformação de uma zona industrial num marco cultural e de arte. É o nascimento do turismo na cidade com base numa única obra, o Museu Guggenheim Bilbau.

O museu tem uma aparência metálica, com uma fachada escolhida de forma a que a alteração da luz solar faça mudar o seu aspecto. Uma aposta ganha, a cidade reinventou-se em torno da obra de Gehry e atraiu visitantes de todo o mundo. O tal retorno foi garantido em apenas dois anos e rapidamente chegou a seis vezes o investimento inicial. Grandes marcas de alta costura investiram na cidade, outras obras de arquitectura chegaram, surgiu o metro e novas pontes sobre a ria.

Parte das suas obras estão no exterior, como:

  • Puppy (Jeff Koons),
  • Tulipanes (Jeff Koons),
  • Mamá (Louise Bourgeois),
  • Fuente de Fuego (Yves Klein),
  • F.O.G (Fujiko Nakaya) e El Grand Arbol y el Ojo (Anish Kapoor).

No interior, a maioria das salas não se pode ser fotografada. O museu tem, na maioria, obras de arte contemporânea, algumas de intervenção ou reflexão. Na nossa visita encontrámos algumas obras e salas dinâmicas, onde é possível “invadir” a obra, como a sala da fotografia seguinte.

Há obras de Yoko Ono, Andy Warhol, Anselm Kiefer, Jenny Holzer e Jeff Koons, entre outros.

Richard Serra

Eventos:

Há vários eventos e exposições temporárias no museu. O site tem alguns roteiros temáticos organizados.

Há um evento mais dinâmico e mais atrativo para os amantes da música. Uma sexta de cada mês (geralmente a última) ocorre a Art After Dark, das 22h à 1h da manhã. Uma oportunidade para visitar as exposições ao som de DJ’s. Custa 15€.

Horário:

Abre de terça a domingo, embora, no verão e em algumas datas festivas, também seja possível encontrar o museu aberto às segundas-feiras.

Aberto das 10h às 20h.

Visitas Guiadas:

Podem também fazer dois tipos de visita guiada: com guia do museu ou guia do grupo.

As visitas guiadas do museu têm de ser reservadas com duas semanas de antecedência para o e-mail guidedtoursMGB@eulen.com. A visita tem a duração de 90 minutos, onde irão ouvir explicações sobre as obras, mas também sobre a arquitectura do Museu Guggenheim Bilbau.

Preço:

Custa 15€, mas se comprarem o bilhete online poupam 2€, aqui.

Restaurantes:

Há dois restaurantes no edifício. Nós não somos de comer nestes restaurantes de museus, porque achamos geralmente inflacionados e de qualidade normal. No entanto, aqui provavelmente encontram uma exceção:

  • Nerua (restaurante do chef Josean Alija, com menu exclusivo que vai dos 85 aos 170€) – Tem uma estrela Michelin!
  • Bistro Guggenheim Bilbao (menus de 22 a 38€, com um bar no terraço que serve pintxos);

Sugestão:

Comprem o bilhete online ou, se conseguirem, visitem o museu numa Art After Dark. Guardem e desfrutem de umas boas horas por aqui, recomendamos que visitem todas as salas e peçam o audio-guia.

Contornem todo o exterior. Na nossa visita havia outras obras no exterior. E vale mesmo a pena ficar algum tempo a apreciar as obras dinâmicas, como F.O.G. e Fuente de Fuego.

Para nós, a melhor vista é da Ponte de La Salve, onde encontramos Arcos Rojos (Daniel Buren), outra obra do museu, entrelaçando a ponte no edifício. Aguardem pelo pôr-do-sol para verem como o exterior do edifício muda de cor com os reflexos.

365 dias no mundo estiveram em Bilbau de 10 a 12 de janeiro de 2020 2019

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Raquel

Gosto de viajar depressa ou devagar. Gosto de conhecer pessoas, de ouvir as suas histórias, de experimentar as comidas dos países que visito. Falo pelos cotovelos e tenho uma lista de sítios a conhecer que todos os anos duplica de tamanho. Não gosto de desporto, mas de vez em quando perco a cabeça e experimento algum novo.

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