SNORKELING EM SILFRA: ENTRE A EUROPA E A AMÉRICA (ISLÂNDIA)

Para nós não fazia sentido ir à Islândia e não ter experiências duma vida. Não sabemos se algum dia voltaremos a este país, apesar de termos uma lista de sítios que nos faltam ver e outros que gostaríamos de rever noutra época do ano. Por isso, selecionámos experiências que valia a pena pagar para fazer. Escolhemos entrar no glaciar com a Into the Glacier, o tour para ver baleias em Dalvik, ir à Lagoa Azul e snorkeling em Silfra .

Silfra

Como reservámos tudo junto, a Artic Adventures fez-nos um desconto de 10%, mas mesmo assim gastámos mais de 500€ em tours. Salvo nas Galápagos, em que gastámos 800€, não é habitual termos estes gastos com tours.

O que é Silfra?

Dentro do Parque Nacional Thingvellir existe um canal estreito, no meio do campo de lava. Visto de fora não tem grande graça, parecendo apenas um ribeiro, mas a água deste canal é límpida e esconde formações rochosas fantásticas. Este “ribeiro” é Silfra.

Silfra é a fenda entre as placas eurasiática e norte-americana, que se formou num terramoto. É preenchida com água filtrada do glaciar Langjökull, super límpida, mas que todo o ano está entre os 2 e os 4º. Anualmente as placas afastam-se 2 cm entre si, e de 10 em 10 anos (aproximadamente) um terramoto “liberta a tensão” que se forma com este movimento. Tornou-se famoso fazer snorkeling na fissura de Silfra e esta actividade está no Top 5 da Trip Advisor, a nível mundial.

A fenda tem 4 zonas de mergulho e na primeira parte quase é possível tocar nas duas placas, ou seja ter uma mão na Europa e outra na América.

Reservar:

Há várias empresas que têm autorização para fazer esta actividade, como a Artic Adventures, a Extreme Iceland, etc. É provável que todas prestem um serviço igual, salvo uma outra diferença. Reservem pelo site escolhendo a data e se querem ir ter ao local ou partir de Reykjavik. Na véspera recebem um e-mail a confirmar a roupa que têm de levar, a indicar o ponto de encontro e outras dicas.

A empresa fornece um fato de mergulho impermeável completo com luvas, botas e gorro. O guia fala inglês e no fim têm um pequeno miminho com chocolate quente e bolachas.

O tour:

Saímos de Skálholt cedo, porque o medo de não conseguir chegar a tempo era grande. Vimos o dia clarear, a neve, as ribeiras geladas, ao som da nossa playlist de música nacional.
Chegámos antes da hora, por isso fomos conhecer Silfra sozinhos, antes de fazermos o “check-in” no tour.

Fomos divididos em grupos e calhou ficar connosco um casal de portugueses, que estava a fazer uma viagem parecida com a nossa, mas de caravana.

A empresa tem várias carrinhas, umas para fazerem de vestiário, outras para transportar o equipamento. Dão-nos o fato de mergulho, que deve ser vestido sobre uma roupa interior de aquecimento. Posteriormente, o guia vai apertar o fato o máximo que vocês permitirem nas mangas e pescoço para evitar que entre água. Põem as botas, as luvas e o gorro com a ajuda do guia. E esperam.

snorkeling Silfra

snorkeling Silfra

A espera aqui pode ser longa. O Parque Nacional limitou os visitantes diários em Silfra e cada grupo entra na sua vez. Assim evitam uma sobrelotação e que alguns curiosos tentem entrar sem pagar. Se forem dos últimos grupos vão ter muito que esperar.

Enquanto esperam o guia explica a extensão do tour. Vamos atravessar três zonas: Hall de Silfra, Catedral de Silfra e a Lagoa de Silfra. Equipamo-nos com as barbatanas e tubo, enquanto esperamos pela nossa vez, já em Silfra. É nos dito que não podemos por nada nos óculos (para não embaciar), para não poluir a água, só saliva.

No momento em que entramos na água, aaaahhhh… Uma coisa é dizerem-vos que a água está a 2º, outra é entrar na água a essa temperatura. Primeiro temos que entrar com água pela cintura, posteriormente mergulhamos a cabeça para ver se está tudo bem e seguimos viagem. Assim que avançam o corpo todo gela, pés, mãos, cabeça. O guia ensina-nos o truque de não colocar as mãos na água, ou seja, de as agarrar atrás das costas, e realmente funciona. É desagradável, está frio, dentro e fora de água, mas é uma experiência única na vida. A água é mesmo muito límpida, as rochas formam paredes irregulares fantásticas. Formam-se cavernas, tal como Silfra já foi. Há uma transparência até ao fundo, chega aos 150m em algumas zonas.

snorkeling Silfra
Imagem da base de dados da Artic Adventures

Apesar de ser um tour calmo, há uma zona em que temos de ter cuidado, pois podemos ser arrastados e depois não há forma de sair sem ser através de equipa de resgate. É provável que isto não seja bem verdade, e seja só conversa para assustar a malta, mas preferimos acreditar. Em resumo, o guia deve ser sempre seguido e é ele que nos fotografa, ter cuidado para não sermos arrastados, evitar por as mãos na água para não gelarem e desfrutar.

Por fim, saímos pela lagoa e seguimos até ao parque de estacionamento, mudamos de roupa, agasalhamo-nos bem e vamos atrás das bolachinhas e chocolate quente. Alguns de vocês podem ficar com o fato interior molhado e o cabelo fica de certeza.

Características:

  • 90-100€;
  • inclui a taxa de admissão de Silfra;
  • guia em inglês;
  • equipamento completo, fato de mergulho e equipamento de snorkeling;
  • bolachas e chocolate quente;
  • 3 a 5h de tour, meia hora na água;
Silfra

Vale a pena?

A voltinha não é grande, mas é gelada. Nós achamos que vale a pena, pela experiência em si, é a única fenda no mundo onde se pode mergulhar ou fazer snorkeling.

A vista é impressionante pelas rochas e pela transparência da água, mas o não ter vida torna-a repetitiva.

Nota: não fazemos mergulho, nem temos PADI, mas perguntámos ao guia se em Silfra valia a pena fazer mergulho, e a opinião dele é que não. Há uma zona onde os mergulhadores têm que sair para atravessar uma zona baixa, e no inverno a botija às vezes congela. Nós sentimos o mesmo, snorkeling basta.

365 dias no mundo estiveram na Islândia de 23 de outubro a 7 de novembro de 2019. Fizeram o tour a 5 de novembro de 2019.

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365 DIAS NO MUNDO

Somos um casal de viajantes com uma lista de viagens por realizar que está sempre a crescer. Juntos viajamos para conhecer a história, a cultura, as pessoas e a gastronomia de outros lugares.

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