OS IMPREVISTOS ACONTECEM: PNEUS DE INVERNO (SUÍÇA)

Ora vamos lá até mais uma das nossas aventuras não planeadas. Nós entrámos na Suíça de carro através da Itália. Aliás, fazemos sempre esta escolha se o destino for o Ticino. Para chegar até à Suíça compramos voo para Milão. Viajámos, aterrámos, levantámos o carro e seguimos viagem. Páramos na fronteira e pagámos a vinheta (CHF 40.-) para circular nas autoestradas suíças. Provavelmente já repararam nos carros com um autocolante que permite circular por toda a Suíça. No entanto, algo falhou. Era janeiro e nem nos ocorreu verificar se o carro tinha pneus de inverno ou de verão. Falta de experiência, confessamos.

A aventura

Na Suíça há regras no que se refere aos pneus de inverno e correntes de neve. Como entrámos pela Itália as regras do carro alugado são italianas, ou seja tínhamos um carro com pneus de verão, mas umas correntes no carro. Apesar da rent-a-car nos permitir atravessar a fronteira não se falou nos pneus. Se nós sabíamos usar as correntes? No idea! Se estávamos preocupados em aprender a pôr as correntes? Não! Em Bellinzona não estava a nevar. Se correu mal? Claro que sim, mas já lá vamos.

Quando decidimos ir a Chur para apanhar o Bernina Express (falamos nessa viagem aqui) sabíamos que o clima estava diferente do Ticino. O cantão Graubünden é sempre mais frio, mas não tínhamos pensado em muito mais. Chegámos a Chur e só tivemos tempo de estacionar e entrar no comboio. Em Tirano tivemos tempo para dar uma voltinha e regressar noutro comboio, chegando a Chur de noite. Nevava, mas nem pensámos estar com os pneus errados e seguimos viagem. Inesperadamente, a nossa falha foi aqui. O carro estava no parque de estacionamento da estação, tínhamos tido condições de colocar as correntes e seguir em segurança.

Estava escuro e percebemos mais tarde que tinha nevado muito. As estradas não estavam limpas, o que não é habitual. O carro começou a fugir e tivemos que parar. Tentámos pôr as correntes, mas de noite, pela primeira vez, com mais de 5 cm de neve foi impossível. Por segurança, invertemos o sentido de marcha e seguimos pela estrada limpa até Andeer. Contrariados, decidimos procurar um sítio onde dormir.

Andeer

Havia a hipótese de deixar o carro, regressar a casa de autocarro e no dia seguinte vir buscá-lo, mas o motorista do autocarro não quis esperar por nós e se calhar até foi melhor assim.

Primeira coisa a dizer, nós falamos inglês, as línguas oficiais da Suíça nada. Não falamos alemão, percebemos italiano e francês, mas nada que permita manter um diálogo. Na Suíça em meios mais pequenos é comum que ninguém fale nada para além da língua do cantão. Vimo-nos numa terra pequena, onde se fala alemão, a estacionar junto a um hotel (Hotel Fravi) e às piscinas termais e a perceber que não havia muita gente a falar inglês.

Andeer tem quase 900 habitantes e é uma cidade termal. Por um lado tinha sido uma ótima paragem programada, pois o hotel termal tem piscina interior e exterior, sauna e jacuzzi, mas não queríamos gastar dinheiro. Seria um reviver a Islândia, mas… não estávamos muito bem dispostos. Além disso é zona de ski.

Foi no próprio hotel Fravi que nos explicaram que na Suíça é proibido circular sem pneus de inverno (meia verdade, as correntes são a alternativa legal) e nos falaram duma alternativa mais barata de alojamento. Demos algumas voltas pelas ruas à procura de quartos baratos e acabámos por escolher o Weiser Kraus. Ficámos no Hotel Weisse Kreuz, simples, mais acessível que o hotel termal, comida boa e com WC privativo. A comunicação foi custosa, mas conseguimos o pretendido. Incluía pequeno almoço e acabámos por jantar lá. Fizeram-nos um desconto por perceber o nosso desconsolo e semi-desespero pela alteração de planos. O preço normal, é CHF 140.-, hoje.

Fonte: Hotel Weisse Kreuz
Mimos do hotel: água e chocolates

O regresso

De manhã acordámos e continuava tudo branco, mas as estradas já estavam limpas. Todavia, não íamos arriscar. O Tiago pôs as correntes, munido das instruções, como se fôssemos montar um móvel IKEA, e seguimos viagem. No momento em que já tínhamos as correntes tudo mudou. Ficámos bem dispostos e confortáveis, viajámos nas calmas, a desfrutar da paisagem e regressámos ao Ticino. Logo que a neve desapareceu tirámos as correntes. Ficámos com mais uma lição aprendida e uma história para contar.

Pagámos CHF 170.- pela dormida e o jantar para dois. Gastámos mais CHF 300.- do que estávamos a contar inicialmente, por causa da dormida e do regresso de comboio. No verão provavelmente gastaríamos metade para fazer a viagem de comboio e regressar a casa, porque seria possível chegar a Lugano de autocarro.

É provável que tenham ficado curiosos sobre a cidade termal. Fiquem a saber que as suas piscinas de 34º custam CHF 20,50.- (2 horas), piscinas e sauna CHF 29.- (3 horas) e recebem 20% de desconto no bilhete do teleférico Splügen Tambo. Uma coisa gira é entrar grátis no vosso dia de anos, desde que mostrem a vossa identificação. O Hotel Fravi custa a partir de CHF 142.- e inclui a entrada nas piscinas e sauna e o pequeno-almoço.

Nota sobre pneus: é comum de outubro até à páscoa ocorrer a troca de pneus de verão para inverno. Claro que depende do clima da região, é provável que nas montanhas troquem mais cedo. Por exemplo, o ideal é trocar quando a temperatura atinge -7º. De acordo com a lei deve-se circular com um carro em boas condições, por isso se os pneus não forem os adequados ao clima podem ter problemas com o seguro. Pode haver sinalização a obrigar a utilização de pneus de inverno ou correntes. Podem ver estas informações aqui.

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