MADEIRA: VISITA DE CHURCHILL EM 1950

Winston Churchill foi um dos primeiros influenciadores que a Madeira convidou, quando a palavra influencers nada tinha a ver com turismo. Tal como se vê acontecer agora, o Reid’s Palace Hotel endereçou o convite no verão de 1949. Na altura o hotel pertencia à família Blandys, os do vinho da madeira. Queriam celebrar a reabertura com o fim da Segunda Guerra Mundial, após 9 anos fechado. Porquê Churchill? Para além de ser uma figura incontornável da Guerra, como Primeiro Ministro britânico, tinha comentado com o cônsul britânico que gostava de ficar umas semanas na Madeira para pintar e escrever as suas memórias. Juntava-se o útil ao agradável, já que a Madeira queria voltar a atrair turistas ingleses. Os Blandys queriam reabrir em grande e conseguiram. Essa visita ilustre atraiu muitos ingleses durante as décadas de 50 e 60.

Churchill chegou à Madeira a bordo do paquete Durban Castle com a sua “comitiva”. O britânico até provocou algo inédito na Union Castle Line, atrasou a partida do paquete em vinte minutos no dia 30 de dezembro de 1949. Trazia consigo a esposa e a filha mais velha, um segurança, duas secretárias, um criado e o seu assessor na escrita das suas memórias, o Coronel Frederick Deakin. Partiram de Portsmouth, Hampshire, e chegaram ao anoitecer, do dia 1 de janeiro (ou dia 2, já que os relatos diferem), sendo recebidos pelo cônsul inglês. Na altura era comum chegar à ilha de barco, já que o aeroporto só seria inaugurado em 1964.

Churchill queria chegar de forma discreta e passar despercebido, feito impossível, já que foi recebido por milhares de pessoas no porto. Até comentou estar surpreendido com uma recepção tão calorosa quando nunca tinha feito nada por aquelas pessoas (“Já fui cumprimentado por muitas pessoas neste mundo por quem fiz alguma coisa, mas nunca, em toda a minha vida, fui tão entusiasticamente recebido por pessoas por quem nunca fiz nada.”).

Chegada de Churchill à Madeira

A família não teve grande sorte com o tempo, e os primeiros dias das férias foram passados dentro do hotel. Diga-se que num hotel destes, não é um mau destino. Churchill podia pintar, escrever, fumar charutos e beber um bom vinho da Madeira. Se se querem sentir como Churchill, podem visitar o Belmond Reid’s Palace.

Churchill na madeira

Não sugerimos como sítio para ficar hospedado porque é uma gama bastante alta. Por exemplo, a suite onde ficou hoje tem o seu nome e custa mais de 1000€ a noite. Em todo o caso, é um hotel emblemático e há quartos mais baratos. No entanto, mesmo não dormindo no hotel, podem beber um chá da tarde como um verdadeiro inglês. Depois postar nas redes sociais I Had Tea at Reid’s, título do livro da coleção The Most Famous Hotels in the World. O hábito do chá das cinco é antigo, desde que há viagens por mar entre a Madeira e a Inglaterra. Acontece às 15h e às 16h em tempos de pandemia, quartas e domingos, no terraço de chá, e tem dress code, smart casual. Calções não são permitidos. São 36€pp ou mais 18,50€ se quiserem acompanhar com champagne. O chá é servido em porcelana inglesa. No centro ficam as três bandejas com as “finger sanduiches” que vão desde abacate à lagosta, em cima estão os doces e o queijo creme, em baixo está a mini pastelaria. O aspecto é tão delicado e bonito que dá pena comer. Nos chás há uma variada escolha. As sanduíches podem ser repetidas, mas a não ser que não pretendam comer mais nada o resto do dia sugerimos passar para os scones, fofinhos e quentes.

cha da tarde belmond palace

Voltemos ao político inglês. No dia 8 de janeiro Churchill pegou numa tela e num cavalete, foi de Rolls Royce até ao miradouro Espirito Santo, em Câmara de Lobos, e pintou a baía e os seus xavelhos. O miradouro agora tem o seu nome, em homenagem.

Devia ter ficado até dia 16 de janeiro, mas as eleições na Inglaterra em fevereiro fizeram-no antecipar a partida para dia 12. Partiu num hidroavião da Aquila Airways, companhia inglesa. O seu roteiro não é muito vasto, nem é acessível a todos, começando pelo hotel. Até pode não dar muitos likes porque se foca no porto, hotel e Câmara de Lobos, mas em termos de marketing foi um sucesso para o Reid’s.

Há que dizer que Churchill já tinha passado na Madeira em 1899, a caminho da África do Sul para ser correspondente de guerra.

Neste roteiro acrescentamos alguns pontos onde Churchill não passou necessariamente, mas que estão relacionados com a sua visita à ilha.

Primeiro temos o Blandy’s Wine Lodge no Funchal. Além de aprenderem mais sobre o vinho vão ver cartas escritas por celebridades a agradecer o vinho, como Churchill. O Museu de Fotografia – Atelier Vicente’s também entra na lista, pois possui algumas fotos de Churchill e família na Madeira, como podem ver no artigo.

Depois, em Câmara de Lobos, temos o Pestana Churchill Bay o primeiro hotel da cidade de pescadores. Fica nos antigos edifícios dos Paços do Concelho e da Lota e homenageia o político britânico. A decoração baseia-se no seu quadro da baía, e há uma estátua de bronze sua que representa a mítica fotografia de Perestrelo.

pestana churchill

Por fim o Cabo Girão, pois para além de aparecer no fundo de algumas fotografias proporciona uma vista abrangente sobre Câmara de Lobos.

A sua neta imortaliza esta viagem tendo repetido grande parte dela em 1999, para escrever sobre isso em Chasing Churchill: The Travels of Winston Churchill by his Granddaughter.

Câmara de Lobos, The Fishing Port of Madeira

Curiosidades:

Se beberem o chá das 5 no Reid’s, primeiro põem o chá na chávena e só depois o leite e açúcar, para testar a qualidade da porcelana.

Churchill bebeu um Madeira engarrafado quando Maria Antonieta ainda era viva.

O Rolls Royce pertencia à família Leacock, produtores de vinho da Madeira. Hoje os descendentes da família transformaram a propriedade da família num hotel requintado, a Quinta da Casa Branca.

Churchill na madeira

Thatcher também passou na Madeira, em 1951, para a sua lua-de-mel. 50 aos depois foi convidada pelos hoteis Savoy a festejar na ilha os seus 50 anos de casada. Passou o natal e passagem de ano, assistindo ao espetáculo do fogo de artificio.

Fonte:

Essential Madeira Islands e jornais portugueses como JN, Público e Sic Notícias.

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365 dias no mundo estiveram na Madeira de 30 de maio a 8 de junho de 2021

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