UM DIA NOS PASSADIÇOS DO PAIVA (PORTUGAL)

Quando os Passadiços do Paiva foram inaugurados foi a “loucura total”. Contam-nos que em Alvarenga os restaurantes não tinham mãos a medir, fechavam as portas porque já não tinham mais carne para servir aos fregueses. Que as ruas se inundavam de carros, estacionados sem regras, gerando o caos se uma ambulância tivesse de passar. Nada fazia prever que os passadiços, dimensionados para receber 500 pessoas num dia bom, tivessem chegado às 10.000 pessoas. Gente de todo o país viajava até Arouca para experimentar este passeio, inicialmente gratuito. As redes sociais inundaram-se de fotografias dos nossos amigos que já lá tinham ido, pediam-se dicas e planeava-se uma futura visita. Com o primeiro incêndio o projecto foi revisto, tendo-se optado por aplicar um preço e obrigar à reserva de bilhete. Ainda assim, os bilhetes esgotavam, sendo preciso reservar no site com alguma antecedência.

Não fomos logo no início, mas claro que estava nos nossos planos. Foi uma visita em família com o nosso cachorro, feita em 2016. Hoje é proibido entrar com animais, mas, na altura, desde que com trela, podiam ir.

Esta atração veio impulsionar muito o turismo da (sub-)região, que faz parte do distrito de Aveiro. A verdade é que ainda hoje não está no roteiro habitual da região, muito ligado às praias da costa. Os passadiços ficam na margem esquerda do Rio Paiva, na Garganta do Paiva, dentro do Arouca Geopark. O projecto de Nuno Martins Melo foi adjudicado em 2013 e inaugurado em 2015. Em dois meses recebeu 200 mil visitantes, uma média superior a 3.000 pessoas por dia.

Os Passadiços do Paiva foram premiados em 2016, 2017, 2018 e 2019 nos World Travel Awards, apesar de terem sofrido grandes estragos nos incêndios de 2015 e 2016. A cada reabertura sofreu alterações para ficar ainda melhor e está prevista para outubro a abertura da maior ponte suspensa pedonal do mundo. Não atravessámos, mas já a vimos…

Percurso:

São 8.300m de extensão e dois pontos de partida (Espiunca e Areinho). O percurso é intenso e fisicamente desafiante para quem não está habituado a exercício físico. Demora 2 horas e meia a 3 horas (num só sentido).

Pontos de Interesse:

  • Praias fluviais:
    • Espiunca
    • Vau
    • Areirinho
  • Ponte Suspensa
  • Geossítios:
    • G.36 – Garganta do Paiva 
    • G.35 – Cascata das Aguieiras
    • G.30 – Zona de Recreio e Lazer do Vau
    • G.31 – Gola do Salto
    • G.32 – Falha da Espiunca

Dicas:

O sentido Areirinho-Espiunca é o menos exigente. Se querem fazer ida e volta devem fazer Espiunca-Areirinho-Espiunca. Nos percursos de sentido único feitos em grupo podem levar dois carros para deixar um em cada lado, evitando táxis.

Recomendamos que comecem a caminhada cedo, para chegarem ao final antes do calor mais intenso. Se pretenderem parar nas praias, sugerimos que façam a gestão de forma a aguentarem o calor durante a caminhada.

Levem almoço, parem para comer, e não se esqueçam de levar um saco para trazerem o lixo.

Bilhetes:

Os bilhetes devem ser comprados online, no próprio site, e custam 2€ de abril a outubro (metade deste preço na época baixa). No site podem também remarcar uma reserva. Residentes do município recebem um cartão de residente, que custa 2,5€, válido durante 3 anos, e ficam com livre acesso. Como dissemos, em época alta pode fazer sentido reservar antes, para não serem surpreendidos com a “casa cheia”.

Há tours com guia, mas nós achamos que não é necessário. Se quiserem, basta pesquisarem na internet. Encontrámos uma com almoço e partida do Porto por 85€.

Como chegar:

Pela A32, IC2, A43, EN108 e A1: ao chegar à vila de Arouca, no cruzamento do edifício da Câmara Municipal, na Avenida 25 de Abril, encontra-se a estrada ER326-1. A estrada liga a vila de Arouca a Alvarenga, percorrendo-a durante cerca de 15km chegam à Praia Fluvial do Areinho, onde se localiza um dos pontos de partida dos Passadiços do Paiva, no rio Paiva.

O parque de estacionamento de Espiunca é o maior.

Espiunca
40°59’34.67″N    8°12’41.19″W

Areinho
40°57’9.68″N    8°10’33.05″W

Recomendações:

  • levar água, não em garrafas descartáveis, mas em reutilizáveis;
  • a roupa deve ser confortável, ténis ou botas de caminhada;
  • o lixo deve regressar convosco;
  • podem (devem) levar fato de banho para utilizarem as praias fluviais;
  • levem protetor solar.

Proibições:

  • acampar;
  • fazer fogueiras;
  • fumar;
  • andar de bicicleta ou levar carrinhos de bebés;
  • entrar com animais;
  • recolher amostras da flora;
  • entrar com colunas de música.

A nossa experiência:

Apesar de ser um percurso desafiante, para pessoas que fazem caminhadas ou têm uma vida ativa faz-se bem.

O percurso é bastante bonito, a natureza está por todo o lado e os passadiços não destoam no meio dela.

Levámos mochila com almoço e água. Um de nós carregou a mochila do Ginguba (o nosso cachorro) e, na última metade do percurso, já com o Gin lá dentro. Levámos roupa confortável de desporto e sapatilhas ou ténis de caminhada. Há quem opte por roupa fotogénica e bronzear. São opções.

Onde dormir:

Se quiserem conjugar os passadiços com o Arouca Geopark, outros trilhos, a vila de Arouca, ou só uns dias de puro descanso, recomendamos que fiquem em Alvarenga, na Quinta da Vila. O Alfredo é ótimo anfitrião, prestável, acolhedor, tem um bom espaço com piscina e pequeno-almoço, e dá as melhores dicas para a região.

Para comer:

Nós comemos na Casa dos Bifes Silva. A vitela deles é inesquecível e são muito simpáticos. Vão ter uma vista privilegiada sobre a ponte suspensa.

365 dias no mundo estiveram nos Passadiços do Paiva a 4 de junho de 2016

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Raquel

Gosto de viajar depressa ou devagar. Gosto de conhecer pessoas, de ouvir as suas histórias, de experimentar as comidas dos países que visito. Falo pelos cotovelos e tenho uma lista de sítios a conhecer que todos os anos duplica de tamanho. Não gosto de desporto, mas de vez em quando perco a cabeça e experimento algum novo.

4 thoughts on “UM DIA NOS PASSADIÇOS DO PAIVA (PORTUGAL)

  1. Bem apanhada, a imagem das escadarias! Nós fomos precisamente na semana passada fazer estes Passadiços. Metade do caminho foi a apanhar molha 😛 Mas valeu bem a pena. Era uma segunda-feira e os bilhetes esgotaram, como parece que tem acontecido praticamente todos os dias.

    1. No nosso dia também já não havia bilhetes. Os restaurantes têm sempre alguns extra para clientes, o que pode ser uma solução de última hora. Não deve haver passadiços tão concorridos como estes. 😃

  2. Olá, parabéns pelo excelente artigo sobre os passadiços do paiva! Permita-me apenas realçar que o percurso mais generoso é o Espiunca-Areinho. Em termos físicos é melhor pois faz-se um aquecimento de 6km praticamente em plano para, no final, subir a escadaria. Já vamos com o corpo bem quente para a subida final. Ao começar no areinho e ter que subir praticamente 1000 escadas, para depois fazer 6km, é mesmo muito duro! Muita gente chega ao pórtico de entrada e desiste: “subi isto tudo, ainda tenho que fazer mais 6km?”. É natural que toda a publicidade flua para a entrada do areinho pois oferece melhores condições de estacionamento (nomeadamente para as excursões de autocarro), está mais próximo do centro da vila de Arouca e Alvarenga. É, claramente, uma decisão estratégica, mas não a melhor em termos de performance.

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