HALA MADRID (ESPANHA)


Madrid é a terceira maior cidade da UE, depois de Londres e Berlim. É a capital espanhola, sede do governo, residência do rei e centro económico e cultural do país.

Espanha, historicamente, foi durante muitos séculos um conjunto de reinos: Galicia, León, Castilla, Aragón e Navarra. Os reis, conquistando novas terras ou recorrendo a alianças através do matrimónio, por vezes conseguiam quase unir este conjunto de reinos num só, falando-se no Rei das Espanhas. Ainda hoje, estas regiões e divisões existem, havendo até alguma competição entre elas.

A cidade de Madrid surgiu com uma Fortaleza Árabe, onde hoje é o Palácio Nacional, chamando-se al-Mudaina. Castilla y Leon, no tempo de Afonso VI, em 1083, conquista Madrid aos muçulmanos e anexa-a ao seu reino. Os reinos vão-se sucessivamente unindo ou separando por via de conquistas, alianças e heranças, como na época do casamento de Isabel e Fernando II. Fernando, com a morte de sua esposa, perde Castela temporariamente para a filha, mas volta como regente do reino para o seu neto, Carlos, oficialmente o primeiro rei de Espanha. Castela não aceita Carlos, argumentando que este seria estrangeiro por ter sido educado fora, mas, principalmente, porque este quer centralizar o poder, retirando autonomia à região ao tratar Aragão e Castela como um único território, Espanha. Madrid, na Revuelta dos Comuneros de 1520, une-se a Castela contra D. Carlos I. Felipe II, seu filho, em 1561 muda a corte de Sevilha para Madrid, mantendo na cidade andaluz o controle sobre o comércio das colónias, mas recebendo ordens de Madrid, na tentativa de controlar os conflitos da região. Madrid passa a capital e só perdeu este título de 1601 a 1606, período em que foi Valladolid. Passadas várias repúblicas e a ditadura de Franco, atualmente Madrid mantém a sua importância, sendo uma das grandes capitais europeias, de fulcral importância institucional, industrial e comercial, mas também um ótimo destino turístico de fim de semana.

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Divide-se em vários bairros, tanto históricos como recentes: Austrias, Las Letras, Salamanca, Casa de Campo, Castellana, Chamberí, Chueca, Conde Duque, Sol-Gran Via, La Latina, Lavapiés, Madrid Rio, Malasaña, Paseo del Arte, Princesa, Retiro, Salesas e Aeropuerto- Feria de Madrid.

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O que visitar: 

Barrio Austrias: o bairro mais antigo, onde casas do século XV, XVI e XVII não faltam. Aqui encontram o Palácio Real, o Teatro Real, a Catedral de la Almudena e a Plaza Mayor.

  • Palacio Real: existia aqui uma alcáçova para que os muçulmanos se protegessem dos avanços dos cristãos. Com a conquista de Madrid, os reis transformaram o espaço no Real Alcázar, vivendo ali D. Carlos I e seu filho, D. Filipe II. Um incêndio desfez o edifício em 1734. Filipe V reconstruiu o palácio no seu formato atual. Continua a ser residência oficial da família real, que não vive lá. A Troca da Guarda acontece às quartas-feiras e sábados, das 11h às 14h, excepto em julho e agosto, em que o horário muda para das 10h às 12h. Na Puerta del Principe da Plaza de la Armería, às 12h da primeira quarta-feira do mês, acontece o Relevo Solene.

Preço: 13€ no verão, menos 1€ de setembro a final de março. Abre das 10h às 18h no inverno e até às 20h no verão. De outubro a março é grátis das 16h às 18h, e de abril a setembro das 18h às 20h.

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  • Catedral de la Almudena: a igreja começou a nascer em 1879, para albergar os restos mortais da rainha Maria de la Merced. No entanto, o projeto foi alterado para uma catedral e, entre suspensões pela guerra civil, falta de donativos e alterações nos gostos estéticos da época, a catedral só foi dada como terminada em 1993.

Preço: 6€. Abre de segunda-feira a sábado, das 10h às 14:30h. De segunda a sexta-feira pode-se subir à cripta por mais 3€, em visita guiada, ou de forma livre, desde que dentro do horário.

  • Teatro Real: É das instituições mais antigas de Espanha dedicada à música e teatro. Filipe V mandou construir em 1738 o Real Teatro de los Caños del Peral, mas D. Fernando II queria uma obra maior e, em 1818, mandou construir o Teatro Real. Esteve fechado algum tempo, mas reabriu em 1997, sob a tutela da família real. Hoje, para além das óperas e teatros, permite visitas guiadas que podem ser combinadas com o Palácio Real.

Preço: 7€ com audioguia, das 10:30h às 16:30h. Das 10h às 13h estão disponíveis visitas guiadas ao preço de 8€. À noite, no fim dos espetáculos, também existem visitas guiadas, mas custam 30€. O bilhete conjunto com o palácio real custa 15€. No verão, as visitas são até às 18h. O último acesso é 60min antes do fecho.

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  • Plaza Mayor: antigamente ficava neste espaço a Plaza del Arrabal e o mercado mais antigo. Aqui aconteceram beatificações, coroações e festejos populares. O Centro de Turismo de Madrid fica na Casa de la Panaderia, onde ficava o moinho que estabelecia o preço do pão. As pinturas atuais são de Carlos Franco, e sabe-se que passou por várias remodelações. Para os que gostam de ver os portugueses prosperar, há na praça um hotel do grupo Pestana, na antiga Casa de la Carnicería.
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  • Mercado de San Miguel: semelhante à Boqueria de Barcelona, é O Mercado de Madrid. Tem mais de 100 anos e é o mais turístico, por isso preferimos ir ao La Cebada (falamos mais à frente). Já o San Miguel, tem um edifício interessante e aqui encontram todo o tipo de tapas espanholas, portanto, um bom sítio para uma tour pela gastronomia nacional. Dizem que têm o melhor presunto ibérico e o marisco mais fresco.

Barrio de La Latina: o bairro deve o nome à Perceptora da Rainha Isabel, a Católica. Beatriz Galindo era conhecida como La Latina e fundou um Hospital com esse nome no bairro.

  • Calle Cava Baja: aos domingos ocorre nesta rua o mercado de Rastro. Dizem que se encontra tudo o que se procura, mas é uma rua repleta de gente. Queríamos ir, mas acabou por ficar para outra altura.
  • Mercado de la Cebada: é um mercado que vende peixe, carne, charcutaria, vinhos, flores, legumes, frutas e roupa. Foi fundado em 1875, mas, após ter sido derrubado, reabriu em 2013. Para além de ser um mercado comum para compras de frescos também servem refeições. Podem comprar ceviches, camarão cozido, polvo, anchovas, arepas (recomendamos) enquanto bebem uma cerveja ou vinho sentados em bidões.
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Gran via: foi criada em 1929 para unir o centro da cidade à Plaza de España. É a grande Avenida da cidade, onde não faltam lojas, restaurantes e cinemas. Encontram aqui Callao, o Palacio de Cibelles, o Banco de España, a Plaza de España e outras atrações.

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  • Circulo de Bellas Artes: Subir ao terraço custa 4€. No topo têm uma excelente vista para a cidade. Nós ficámos por aqui umas duas horas, a desfrutar do final de tarde.
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Barrio Lavapiés: mantém o traçado medieval e, como La Latina, ainda é possível ver algumas estruturas dos edifícios em madeira. É um bairro multicultural, consequência da imigração. Tal como em Sevilla, aqui também há corralas, edifícios de vários andares com um pátio central.  Em agosto, de 6 a 18, acontecem as festas de San Lorenzo e San Caetano, principalmente na Calle del Oso, onde a decoração é feita pelos habitantes. Penduram-se na rua lenços bordados de várias cores.

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Barrio Paseo del Arte: também conhecido por triângulo da arte, numa distância de 2km encontram-se três grandes museus:

  • Museo do Prado: ideia de uma portuguesa (rainha Maria Isabel de Bragança, casada com o rei Fernando VII). Tem obras de Velásquez, Goya, Rubens, entre outros.

Preço: 15€, grátis das 18h às 19:30h de segunda a sábado, ou das 17h às 18:30h ao domingo. Nota: O horário de entradas gratuitas nos museus aparece meia hora mais alargado do que temos aqui, porque a bilheteira fecha meia hora antes (com uma pontualidade inglesa). Conseguimos só um bilhete e acabámos por decidir não ir.

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  • Real Jardín Botânico: fica junto ao Prado e foi a maior desilusão da viagem. Gostámos muito das estufas e do corredor de bonsais, mas os jardins, principalmente do lado inferior, à direita da entrada, estavam secos. Sugerimos seguirem logo para a esquerda. Não iríamos se não soubéssemos o que íamos encontrar.

Preço: 6€

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  • Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia: Aqui está o quadro Guernica, de Picasso. Tem duas partes e entre os dois edifícios (Sabatini e Nouvel) encontra-se um bar ao ar livre, onde parámos para lanchar. Espreitem a biblioteca.

Preço: 10€, grátis de segunda a sábado das 19h às 20:30h e ao domingo das 13:30h a 19h. No entanto, as salas fecham as 14:15h (excepto a coleção 1) e a bilheteira pára de dar bilhetes as 14h. Fecha à terça.

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  • Estacion de Atocha: encostada ao jardin Retiro, ao Paseo del Arte e ao Museo Reina Sofia, fica a principal estação ferroviária da cidade. Foi inaugurada em 1851 e hoje divide-se em dois edifícios. O antigo tem um jardim tropical, algumas lojas e os escritórios da Renfe, o mais recente alberga a verdadeira estação.
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  • Parque  del Retiro: são 125 hectares verdes no coração de Madrid, com espaço para deitar na relva, ler, namorar, correr, andar de barco no lago, de bicicleta ou trotinete.
    • Palacio de Cristal: criado em 1887 para albergar a exposição das Filipinas, seria usado como uma estufa, agora é uma sala de exposição.
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  • Palacio Velázquez: casa de exposições temporárias, nós visitámos a exposição de Tetsuya Ishida: “Autorretrato de otro”. A obra do japonês é uma crítica satírica à sociedade japonesa.
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O acesso é grátis. Abre das 10h às 22h de abril a setembro, até às 19h em outubro e até às 18h de novembro a março.

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  • Monumento Homenaje a las Victimas del 11-M: junto ao Retiro e Atocha fica o monumento de homenagem às vítimas do atentado. A 11 de março de 2004 ocorreu um atentado que matou 192 pessoas (a última morreu depois de dez anos em coma). A torre cilíndrica em vidro tem no interior gravados os nomes das vítimas. É visitável e a sala é pressurizada. Por ser um memorial, deve ser visto como um espaço de reflexão, não como um local turístico.

É gratuito, fecha à segunda-feira.

Barrio Malasaña: É o bairro que mais representa a arquitectura neo mudejar. Descemos a Calle del Barco e vimos, por exemplo, a fachada do 21. Vimos as engraçadas inscrições no topo das portas que diziam “Aseguradas de incendios”. Uma empresa privada de seguros garantia que as casas eram seguras, marcando-as, pois a cidade foi vítima de grandes incêndios.

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  • Calle del Pez: vejam a decoração da rua, com os painéis de vasos em sapatos ou em calças.
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  • Iglesia San Antonio de los Alemanes: A igreja é bastante discreta por fora, mas por dentro é fascinante. Tem uma única sala elíptica e está coberta por pinturas. Não vale a pena descer à cripta, na nossa opinião. Começou por ser a igreja de santo António dos portugueses, por apoiar estes. Após a independência de Portugal centralizou o seu apoio aos alemães pobres.
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Preço: 2€. Abre para visitas das 10:30h às 14h, e à tarde tem culto, excepto em agosto.

  • Plaza del Dos de Mayo: a rebeldia contra tropas francesas e a invasão de Napoleão passou-se a 2 de maio de 1808. A praça presta homenagem a dois dos heróis da revolta.
  • Museo ABC: é um edifício apelativo e fotogénico. Pertence ao grupo de imprensa ABC e é um centro de arte e ilustração. Se querem comprar livros ilustrados diferentes é aqui que os encontram.
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É grátis, mas aceita ofertas (recomenda 3€). Fecha à segunda-feira.

Barrio Princesa: Apesar de ser um bairro com muitas atrações, acaba por ser um bairro relativamente calmo.

  • Templo de Debod: Oferecido em 1968 pelo Egipto como agradecimento a Espanha pela ajuda em salvar outros templos. Há um jardim em volta, de lá vê-se o Palácio Real e a Catedral  de la Almudena.

É gratuito. Fecha à segunda-feira, abre das 10:00 às 19:00.

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  • Faro de la Moncloa: esta antiga torre de iluminação da cidade é hoje um ponto de atração para uma vista panorâmica sobre a cidade, privilegiada.

Preço: 3€, fecha à segunda-feira. Os bilhetes podem ser comprados online definindo data e hora de entrada.

  • Teleférico: por 6€ podem percorrer os quase 5km de percurso de ida e volta desde a estação de Rosales até Casa de Campo. Um só percurso (quase 2,5km) custa 4,5€.

Castellana: é uma grande avenida que engloba alguns dos edifícios modernos, como o Bankia (duas torres inclinadas), as 4 Torres,  algumas zonas mais antigas, como Colón e a Biblioteca Nacional, e tem o museu de esculturas.

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  • Biblioteca Nacional: criada por Filipe V em 1711 como Biblioteca Real. Tem um exemplar de cada livro publicado no país. Há visitas guiadas individuais e de grupo, cada uma em dias específicos, e que devem ser reservadas antes, aqui.
  • Plaza Colón: a escultura de Cristovão Colombo, de 1885, fica no centro da praça, perto, no antigo pedestal do descobridor temos Julia, uma estátua de 12m, em exposição anual.
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  • Museo de Escultura al Aire Libre: é um espaço com esculturas abstratas para aumentar a circulação pedonal no local.
  • Estadio Santiago Bernabéu: O ponto alto para muita gente, principalmente no turista fã de futebol é ir até ao estádio do Real de Madrid.  O Tour Bernabéu custa 25€ e demora uma hora e meia.

Parque del Capricho: fica perto de Barajas. Abre sábados, domingos e feriados das 9:00 às 21:00.

Há outras zonas na cidade que podem ser acrescentadas nesta lista, como Madrid Rio, que nós achámos que não valia a pena visitar por recomendação de quem lá vive. Fica na margem do Manzanares e a seleção espanhola festejou aqui a vitória no mundial de 2010.

Onde comer:

Tal como temos vindo a repetir nos posts de Espanha, o forte aqui são as tapas. Em Madrid deve-se procurar a bocata de callamares (uma sandes de lulas fritas), presunto, tortilla, as papas bravas, e perguntem sempre nos espaços o que vos recomendam. Nós fazemos isso e geralmente corre bem.

Mercado La Cebada:

  • El mundo das Arepas: servem arepas e sumos naturais.
  • Numa das bancas de peixes comam polvo, ceviches, marisco e muito mais.
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Lateral: um espaço moderno em Castellana. Nós pedimos trio de hamburguesas, rabo de toro, croquetes de jamón.

NAP: ficava perto do Museu ABC e foi um achado. As pizzas são ao estilo napolitano, o serviço é muito eficiente. Recomendamos.

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Doces:

Churros San Gines: desta vez não passámos lá, mas já foi paragem obrigatória para a Raquel. A lógica é pedirem os churros e chocolate quente e molharem os churros na chávena com convicção.

Ice & dream: têm de experimentar o gelado nuvem, com algodão doce por 4,80€.

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Sair à noite:

Em Colón sugerimos o Habanera, um espaço bonito, simpático, com música agradável. Serve refeições, mas é perfeito para um copo de inicio de noite. Se querem uma coisa mais animada, há uma discoteca na porta ao lado.

Onde dormir:

Hotel Westin Palace: se querem um hotel que vos faça lembrar os filmes do James Bond dos anos 50-70, é aqui que devem ficar. Existe desde 1912. Tem brunch aos domingos por 48€.

Nós ficámos em casa de uma amiga e, apesar de não ser no centro, ter metro perto levou-nos sempre onde queríamos. Recomendamos que escolham um local perto de uma estação de metro, sugerindo os arredores de Puerta do Sol ou Gran Via como boas escolhas. Podíamos dar-vos uma lista exaustiva, mas como não utilizámos nenhum, um site como o Booking ou Airbnb vai dar-vos boas sugestões.

Como se deslocar:

Se ficarem no centro e gostarem de caminhar podem fazer muitos percursos a pé. O metro funciona lindamente e tem a vantagem de os cartões poderem ser utilizados por múltiplos utilizadores. É preciso escolher as linhas com paciência, porque às vezes uma troca de linha leva a um percurso 20 minutos mais longo, evitável com uma curta caminhada até outra paragem. Utilizámos Uber e a Emov, o que se revelou uma escolha acertada porque são veículos que podem entrar no centro.

Dicas:

Preparem-se para caminhar, facilmente fazem 15km diários entre atrações.

Se querem visitar a cidade de outro prisma podem sempre seguir um roteiro com base na série La Casa de Papel. 

Os bancos em Espanha cobram taxas se o cartão não for da rede, tentámos ao máximo não levantar dinheiro e pagámos sempre com o Revolut.

365 dias no mundo estiveram em Madrid de 4 a 7 de agosto de 2019

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Raquel

Gosto de viajar depressa ou devagar. Gosto de conhecer pessoas, de ouvir as suas histórias, de experimentar as comidas dos países que visito. Falo pelos cotovelos e tenho uma lista de sítios a conhecer que todos os anos duplica de tamanho. Não gosto de desporto, mas de vez em quando perco a cabeça e experimento algum novo.

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